Há, se eu tivesse meus pais?
Cuidaria como um tesouro, enquanto estive perto cuidei como me era possível, os valorizei como me era permitido, beijos não dava, pois não era algo permissível, abraços só quando criança, depois foi totalmente esquecido.
Mas como queria eles aqui comigo, na hora da morte só eu estava presente, meu pai largado no mato, morrendo tuberculoso como se não fosse gente, minha mãe atropelada na rua morrendo na minha frente, como gostaria tê-los comigo só para vê-los contentes.
Infelizmente, a maioria tem e não valorizam tão grande presente, desprezam como se não estivesse em sua frente, não fazem nenhum esforço procurando saber como se sentem,
diariamente nos sentimos sozinhos ao lado de tanta gente, raramente alguém nos pergunta se a minha fome é a mesma que a que eles sentem.
Há como eu queria eles aqui comigo, pois sei que teria que me preocupar em cuidar deles, como se cuida de dois amigos, às vezes um abraço de um neto é tudo o que você precisa para não desistir diante de tantos tombos dessa vida.
Eu faria uma casa pra eles e todo dia os visitaria, dava um abraço apertado para sentirem que sempre ali estaria.
Hoje somos um desses prováveis invisíveis que o tempo não poupou, estamos chegando de mansinho e já estamos sentindo na pele o que o destino preparou, não por maldade, mas é que cada um tem sua vida pra cuidar, mas só não esqueçam que a nossa rapidamente tem de se acabar, pois o tempo é curto e já vai se findar, e talvez não haja tempo de se perguntar, cadê aqueles que eu tinha de cuidar.
É que eles vão ficando invisíveis e em pouco tempo desaparecem de vez, aí você se pergunta, cadê vocês? Cadê vocês que tanto amei! Cadê vocês que meu tempo não lhes dei! Cadê vocês, que nos braços não carreguei! Cadê vocês que por amor tudo suportou, pode ser que não tenha feito tudo por vocês, mas bem que gostaria de tentar outra vez, há se amássemos da mesma intensidade que foi o amor de vocês.
J C Gomes
